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A lição que Nelson Mandela nos deixou sobre liderança

Atualizado: 30 de mai. de 2023


Nelson Mandela foi um líder ímpar. A sua liderança nem sempre foi pacífica, mas é na adversidade que se distinguem os grandes líderes.


Pessoa declamava na sua poesia que o homem é imperfeito. De facto, não existem líderes perfeitos, é uma lição que Mandela nos deixou, ressalvando a necessidade da honestidade para connosco próprios: “The first thing is to be honest with yourself” . E esse princípio só se completa aplicado na relação com os demais.


Vivemos tempos excecionais, inéditos e adversos. Servem para destacar a qualidade das lideranças, positiva ou negativamente.


Nelson Mandela era filho de um chefe tribal. Quando a tribo se reunia para discutir determinado assunto, sentavam-se em círculo e cada um manifestava a sua opinião. O pai do Madiba ouvia-os a todos, falava no fim.


Mandela, questionado a determinada altura sobre as fontes de aprendizagem que o levaram a tornar-se um grande líder, apontava precisamente esta virtude: ouvir.


Uma lição aparentemente simples, mas difícil de pôr em prática. Muitos líderes não ouvem, não resistem à pressão, fazem escolhas erradas e passam ao lado deste princípio sagrado de liderança.


E isso está a acontecer ao nível de lideranças nacionais. Portugal não é exceção.


De modo geral, elogiámos o nosso Primeiro-Ministro durante o decorrer do estado de emergência. Antecipou-se – ele e o seu governo – a algumas instituições, implementou medidas de contenção rígidas, assumiu a responsabilidade de líder batendo-se de frente com oposições variadas. Sentido de Estado, braço de ferro, compromisso com a saúde dos portugueses.


Todavia, não se resolveram problemas reais. Empresas faliram por ineficácia na condução ágil de fundos, pessoas ficaram desempregadas, bancos elaboraram negociatas aproveitando o desespero de empresários e famílias.


O papel do líder não se avalia somente pela posição determinada e responsável perante certas situações, avalia-se também pelo resultado das decisões por si tomadas.


Os tempos são de um rara dificuldade. Talvez não possamos exigir mais aos líderes que nos governam, talvez seja injusto afirmar que a europa precisaria de líderes mais firmes na valorização da vida humana. Talvez não.


Talvez seja o momento de surgirem líderes que se batam efetivamente por uma verdadeira europa, que não perca tempo em discussões sobre o cumprimento de um princípio, muito claro, previsto na constituição europeia: solidariedade.


Talvez seja injusto exigir mais das lideranças vigentes nos nossos tempos, como se tivessem que ser líderes perfeitos ao invés de seres humanos que, por natureza, são imperfeitos e cometem erros pela impossibilidade de prever todos os efeitos das decisões que tomam. Talvez sim.


Mas, porventura não é exagero considerar que tem a obrigação de aprender esta lição de Nelson Mandela: ouvir. Talvez devessem ouvir médicos e cientistas que, estando na linha da frente desta guerra, declaram ser cedo demais para retomar a normalidade, acrescentando o perigo de nos colocar numa situação mais caótica após tão difícil esforço.


Talvez o momento excecional de sobreposição de pessoas à economia devesse manter-se por mais algum tempo, até existir verdadeiramente o sentimento de alívio, de controlo do vírus e de confiança no futuro.


É aí que reside o critério de avaliação dos líderes. Alguns começam a ceder, a pressão começa a ser demasiado intensa e proveniente de todas as direções. É hora de retomar a economia, ainda que seja sinónimo de risco para a vida.


A decisão errada poderá projetar-nos para uma situação ainda mais intensa do que aquela que temos vivido, no máximo uma situação de caos; no mínimo, uma constante e agonizante preocupação com os familiares que nos são próximos e potenciais vítimas mortais de um vírus que, a menos que desapareça por magia ou surja uma vacina eficaz, vai andar constantemente a bater em portas ao lado da nossa e, com clara facilidade, pode vir a entrar na nossa casa sem convite.


Esperemos que os nossos decisores políticos estejam a tomar a decisão certa, será sinónimo do sucesso de todos nós.


Em qualquer circunstância, talvez os tempos exijam que depositemos uma fé inabalável nos cientistas, na esperança que surja algum iluminado que descubra uma solução, venha a ser aplaudido pela Humanidade e ganhe o devido reconhecimento nos registos da nossa história.


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