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Obstáculos à Advocacia Preventiva e a Responsabilidade do Advogado

Atualizado: 8 de jan.

A relação entre advogados e potenciais clientes é, muitas vezes, marcada pelo desconforto e hesitação.


Grande parte das pessoas evita o contacto preventivo com os advogados, recorrendo apenas aos seus serviços jurídicos em situações extremas, por vezes bastante agravadas pelo simples decurso do tempo.


Esse distanciamento tem raízes profundas, que se relacionam com aspetos culturais, conservadorismo da profissão, falta de informação e até barreiras psicológicas.


Neste artigo vamos analisar três razões que levam ao distanciamento entre o advogado e o seu potencial cliente, terminando com breves ideias para combater essa realidade.



Receio de custos inesperados


Um evidente obstáculo resulta da perceção de que consultar um advogado é financeiramente inacessível. Em muitos casos, o cidadão comum não conhece o como, nem o quanto ou o quando relativamente aos honorários cobrados pelo advogado.


É certo que poderá esclarecer tudo isso, mas o desconhecimento, aliado à perceção de que os honorários ascendem a valores exorbitantes, limita a ação do cidadão ab initio.


Acresce um outro aspeto, não menos importante, que é o facto do cidadão nem sempre compreender a relação entre os valores pagos e as vantagens obtidas no contexto da advocacia preventiva.



Sigilo, estigma social e medo do julgamento


O segredo profissional é um dever jurídico que a generalidade dos advogados preza, respeita e defende, aliás, sob pena de incorrer em responsabilidade criminal, civil e disciplinar.


No entanto, a importância de preservar o segredo profissional não é assim tão clara para o cidadão comum. E ainda que possa esclarecer eventuais dúvidas, junto do próprio advogado, não deixa de estar no seu subconsciente a perceção de um risco elevado.


E o risco é temer que determinada situação pessoal ou profissional venha a ser conhecida por terceiros, quando não é raro que nem familiares e/ou amigos tenham conhecimento dela. Esse aspeto inibe também o contacto inicial com o advogado.


Acresce um fator psicológico de peso, que é a circunstância das pessoas terem geralmente vergonha de partilhar determinadas situações da vida com terceiros, por vergonha ou medo do julgamento, englobando os próprios advogados.



Cultura reativa e falta de familiaridade com processos jurídicos


Podemos também afirmar que o Direito geralmente não é encarado como uma ferramenta para prevenir ou acautelar determinadas situações de crise, mas como uma ferramenta reativa.


O fraco entendimento da importância da advocacia preventiva, a débil familiaridade com os aspetos mais simples processos jurídicos, gera confusão e desorientação, resultando numa postura de procrastinação e consequente adiamento do contacto inicial com o advogado.


Tudo isso cria sérios obstáculos ao desenvolvimento da advocacia preventiva, prejudicando fortemente cidadãos e empresas, pois perdem-se oportunidades valiosas para resolver um problema jurídico relativamente simples, transformando-o num pesadelo.


E não é raro que as consequências da inércia prejudiquem seriamente o decorrer normal da vida, em certos casos de modo irreversível.


Por tudo isto, e outras razões que poderíamos acrescentar, é evidente que o advogado tem um papel relevante na mudança de mentalidade dos cidadãos e empresas quanto à importância da advocacia preventiva.


É que, sejamos honestos, em certas circunstâncias melindrosas da vida, procurar um advogado no devido tempo pode tornar-se tão crucial quanto procurar um médico para evitar o desenvolvimento de uma qualquer doença grave.


E, ao contrário do passado, o advogado hoje dispõe de um vasto conjunto de ferramentas, que facilitam a sua comunicação com cidadãos e empresas, podendo através delas educar o seu potencial cliente sobre o funcionamento dos seus serviços, sobre as suas áreas de prática jurídica, sobre aspetos concretos de cada uma dessas áreas e sobre a importância da advocacia preventiva em diferentes contextos.


Para o efeito, o advogado deve dar um primeiro passo: estabelecer um posicionamento digital profissionalizado. Deve, portanto, desenvolver uma identidade digital cuidada, criar um site e otimizá-lo para ser encontrado nos motores de busca (SEO), como o Google, por exemplo.


O segundo passo é investir no marketing jurídico, apostando na produção de conteúdos verdadeiramente úteis para o potencial cliente, que vão permitir gerar uma relação de identificação e confiança nas competências do advogado, por consequência, interesse pelos serviços por si prestados.


É este o caminho que distingue o advogado no mercado jurídico, que permite demonstrar a importância da advocacia preventiva, e que, a breve trecho, colocará os advogados que realizem esse investimento em posição de destaque.


Os anúncios pagos têm vindo a crescer desde as alterações ao Estatuto da Ordem dos Advogados, e em especial desde o mais recente Parecer da Ordem dos Advogados sobre a publicidade na advocacia.


Acontece que, pela lógica de funcionamento dos anúncios, a que se juntam alterações no próprio Google, a eficácia dos anúncios irá reduzir drasticamente.


É através do tráfego orgânico, alcançado pela produção de conteúdos relevantes, que o advogado se distinguirá numa perspetiva de médio prazo. E o terreno ainda é bastante fértil, pois nem as grandes sociedades estão a apostar devidamente no marketing jurídico.


É neste âmbito que estamos focados atualmente, a trabalhar para colocar advogados no mapa digital e desenvolver uma abordagem estratégica quanto à produção de conteúdo, relevante para advogados em prática individual, quanto escritórios ou sociedades.


Entregámos recentemente um projeto no âmbito do nosso pacote de serviços Advogado 4.0 - The Next Level, ao Dr. Filipe Ferreira Correia, a quem agradeço a confiança depositada nestes serviços.


O site pode ser visitado neste link:



Estamos ainda em fase de acompanhamento para eventuais ajustes.


O certo é que, seja pela contratação de serviços profissionalizados ou não, é importante que os advogados não negligenciem o potencial do mundo digital.


De outro modo, estamos convencidos que serão ultrapassados pelas novas gerações de advogados que vão a chegar ao mercado jurídico.


Portanto, há que dar fogo à peça!



LPM


Conheça os nossos serviços:




 
 
 

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