Transferência Intergeracional de Riqueza e Enfraquecimento do Networking Tradicional na Advocacia: O papel dos Sócios
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Na tradição jurídica portuguesa, a figura do sócio sempre esteve associada à excelência técnica, à reputação no mercado e direção dos casos jurídicos mais relevantes. O prestígio de uma sociedade repousava, quase exclusivamente, na autoridade dogmática e no carisma dos seus fundadores.
Com efeito, na advocacia de negócios contemporânea, marcada por uma crescente competitividade, o saber jurídico, embora continue a ser pedra angular da reputação de uma sociedade, deixou de ser o único garante da sua sustentabilidade e crescimento.
E o papel dos sócios é hoje absolutamente fundamental na definição das estratégias de ação das suas sociedades, visando a sua adaptação ao novo mundo, fortemente influenciado pela digitalização, sem que isso signifique perda de identidade e reputação.
O posicionamento digital da advocacia não é fenómeno passageiro, nem se confunde com a mera presença nas redes sociais ou com a existência de um website. Exige ação estruturada, sóbria e eficaz. O posicionamento digital é hoje um símbolo de modernidade e clarividência do mundo em que vivemos.
No artigo de hoje, vamos registar algumas breves notas sobre um aspeto que entendemos deveras relevante a ter em consideração por líderes no setor jurídico, visando a sustentabilidade e crescimento dos seus escritórios.
Essa ideia prende-se com a transferência intergeracional de riqueza e o enfraquecimento do networking tradicional, como, aliás, fizemos questão de deixar expresso no título deste artigo.
Nos últimos tempos, um dos tópicos mais discutidos por instituições financeiras tem sido o tema da Great Wealth Transfer. A discussão não é nova, mas ganhou relevância acrescida ao longo de 2025, fruto de movimentações que já se observam no mercado.
Neste contexto, entre outras fontes relevantes, a UBS partilhou um relatório muito interessante, disponível para download neste link:
No contexto do objeto deste artigo, não é a transferência de riqueza que mais importa, mas as mudanças de comportamento que a ela estão atreladas, se podemos dizer assim. Importa o que representa em termos de ação e tomada de decisões empresariais relevantes, como é o caso de contratar o parceiro jurídico certo para defender os interesses das empresas lideradas por estas novas gerações.
Estamos perante uma mudança de interlocutor, o surgimento de CEOs cuja ação não se define exclusivamente pelos termos do networking tradicional, mas que se complementa pela due diligence digital que fazem na hora de operar contratações relevantes, incluindo de serviços jurídicos.
Não significará menor importância do networking tradicional, mas parece razoável entender que significa uma diminuição da sua eficácia caso não seja complementado com o posicionamento digital das sociedades de advogados.
E esse posicionamento digital, conforme referimos supra, não passa pela mera produção de conteúdos e divulgação de eventos nas redes sociais, nem ter um sítio oficial, o website, que possa ser visitado por clientes de alto ticket.
Passa por ações estruturadas, com estratégias pré-definidas, em que, ao invés de distribuição indiscriminada, típica das redes sociais, se saiba quem é o público-alvo a que se quer chegar, quais os seus interesses, como despertar a sua atenção com vista a potenciar o interesse e aumentar a confiança na contratação de determinados serviços jurídicos.
E não estamos a falar de narrativas de autopromoção, referimo-nos à produção de conteúdos de valor qualificado, apropriados para responder com substância e objetividade às questões que mais inquietam empresários nas decisões que precisam de tomar.
Se dúvidas pudessem existir sobre mudanças neste contexto, temos hoje ferramentas que nos permitem observar essa realidade em detalhe, incluindo perguntas concretas que novos CEOs fazem a motores de IA.
Esta é uma realidade que, do nosso ponto de vista, é importante que os sócios estejam atentos para que não acabem por perder posições de vantagem que têm atualmente por negligencia da importância do posicionamento digital das suas sociedades.
Esse posicionamento digital, substantivo, é o fator complementar essencial para reforçar a confiança dos empresários na escolha dos seus parceiros jurídicos.
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Luís Pedro Monteiro




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